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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Será que esse gatinho não tem jeito?

O Pablo é um gatão que foi resgatado há alguns meses e todo mundo achava que nunca ia se socializar. Ele foi encontrado quando fomos dar ração para uns gatinhos que cuidamos na rua. Um dia o Pablo apareceu por lá e queria comer a comida dos gatinhos. Acontece que, apesar do seu tamanho, ele apanhava dos outros e estava um pouco machucado e ficando magro. Mas quem disse que alguém dava conta de pegá-lo? De jeito nenhum! Assim como os outros, ele era muito arisco, mas os outros tinham sido capturados e castrados quando pequenos. O jeito era tentar arrumar uma gatoeira e torcer para ele entrar. E assim foi por uns dois ou três dias até que conseguimos capturá-lo.
Pablo no dia que chegou no abrigo e alguns dias depois. Ninguém encostava a mão nesse menino!
A nossa ideia era fazer CED (capturar – esterilizar – devolver) com ele, mas nos dias em que ele ficou na casa do Viva Gato nós vimos que ele era um gato muito medroso. Aquela braveza toda não era braveza de verdade, era medo. E aí começamos a pensar que talvez não fosse bom para ele ser devolvido... Deixamos ele na quarentena, castramos e tivemos uma grande ajuda da Dra. Letícia, veterinária que está se especializando em tratamentos naturais.

O Pablo continuava arredio, apanhava até de filhotes, mas no início do tratamento já começava a deixar que passássemos a mão em sua cabeça. Claro que antes ele rosnava, abaixava as orelhas e nos olhava com aquela cara de “se você vacilar eu te mordo”.  Mas a nossa missão é cuidar deles, então continuamos a insistir. A gente já estava até conformado que ele ia viver para sempre no abrigo. Afinal, quem ia querer um gato adulto e arisco?

Mas quem disse que milagres não acontecem? Quem disse que não existem pessoas iluminadas que querem dar uma chance para esses meninos? A Dra. Letícia e seu marido, Higor, que já tinham adotado o Suspiro com a gente, resolveram levar o Pablo para casa. Vocês nem imaginam o chororô que foi no dia! Todo mundo no abrigo emocionado, e todo mundo que não estava lá na hora, mas foi avisado também chorou. Era uma notícia boa demais!
Primeiros dias do Pablo na casa nova
Desde então a Letícia tem mandado notícias pra gente. No início o Pablo ainda estava na dele, com medo, arredio e desconfiado. Depois, com a ajuda dos novos pais e do irmão Suspiro, foi se soltando. E está cada dia melhor! Já aceita carinho, está bem mais relaxado (dá pra ver na expressão da carinha dele e no jeito de olhar).
Pablo e seu irmão Suspiro, que também foi essencial para a adaptação dele
Nosso maior desejo é que muito mais pessoas se inspirem na estória do Pablo e deem uma chance para os gatinhos “menos adotáveis” dos abrigos. Na casa do Viva Gato temos muitos. São os adultos, os pretinhos, os cinzinhas e as escaminhas. Muitos deles deixados de lado pela idade ou pela cor, apesar de serem extremamente carinhosos. Muitos outros porque são um pouco ariscos. Sabemos que muitos desses gatos considerados ariscos no abrigo podem mudar bastante o seu comportamento em lugares com carinho, paciência e menos gatos. Quem sabe ainda vão aparecer pessoas pra dar uma chance para eles não é? Depois do exemplo do Pablo, tudo pode ser possível.
A tranquilidade na casa nova
A gente vai agradecer para sempre tudo que a Letícia e o Higor (e o Suspiro) estão fazendo por esse menino. Vocês são muito especiais!! E merecem tudo de bom sempre. Todos nós do Projeto Viva Gato desejamos toda felicidade do mundo para a família de vocês!



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

AS VOLTINHAS DO SEU GATINHO

Gato dentro de casa é gato seguro e feliz
Todos conhecemos alguém que já perdeu um gatinho, seja envenenado, atropelado ou por maus tratos na rua. A maioria das pessoas ainda permite que seus gatos deem suas voltinhas pela vizinhança. Muitos consideram esta a única maneira de se criar gatos e defendem que privar estes animais dos seus passeios é crueldade. Acreditam não ser possível conter um gato dentro de casa, o que desencadeia riscos para o gato e é, além disso, um problema social, já que a maioria dos gatos que tem acesso a rua não são castrados.

Muita gente ainda acredita que os gatos são muito espertos e sabem se virar na rua. Eles são espertos, mas não como idealizamos. Gatos pulam janelas, escalam muros e, desta maneira, muitos acreditam que seja impossível mantê-los em casa. É muito comum, gatos invadirem casas de vizinhos e em muitas dessas casas ele não é bem-vindo. Nos seus passeios infelizmente ele pode encontrar um cachorro protegendo seu território ou mesmo um pedaço de carne envenenado. E é exatamente assim que um gatinho sai pra passear e não volta. É o famoso “meu gato fugiu” conhecido também pelo “ele não gostava de casa”.

Imagem original em: http://tinyurl.com/ljbx9bf

O problema de deixar seu gato a sua própria sorte é que muitas vezes ele não tem tanta sorte assim… A vida moderna faz com que os passeios fora de casa fiquem perigosos. Existem riscos que reduzem drasticamente a expectativa de vida destes felinos domésticos, uma vez que os gatos podem viver até 20 anos, e eles acabam morrendo com uma média de idade menor do que três anos. E quando não morrem, os “passeios” podem deixar sequelas. Se não bastassem os perigos que a cidade apresenta, existem doenças transmitidas entre os gatos, como PIF, FeLV e FIV.

É perfeitamente possível termos nossos gatos felizes, saudáveis e protegidos mantendo-os dentro de casa. O gato não vai ficar triste, deprimido por estar dentro de casa. Gatos são animais territorialistas, eles precisam de um território só seu, que pode ser um quarteirão, uma rua, uma sala ou uma poltrona. O importante para a saúde emocional deles é que eles tenham seu próprio espaço e que este seja seguro, limpo e arejado. Se o gato pudesse pedir uma coisa apenas para o seu dono, ele pediria segurança. Quem tem gato sabe bem o quanto eles se estressam com mudanças de ambiente, mudanças de rotina, tudo isso interfere diretamente na segurança dele, ele se sente vulnerável e isso sim agride a sua natureza. Mantê-lo dentro de casa, com os cuidados corretos é apenas mais uma prova de amor que você pode dar a ele. É irresponsabilidade deixar seu gato andar a solta por ai, comer o que encontrar e causar transtornos aos vizinhos. Cabe ao dono ter o bom senso de que somente ele é responsável pelo seu animal.

Arranhadores e prateleiras são ótimas opções para os gatos se divertirem dentro de casa, além dos brinquedos (Imagens retiradas da internet)

É claro que sabemos que conscientização e educação são a melhor opção sempre, e esse seria o mudo ideal, mas sabemos que não é simples assim. Mesmo uma medida mais imediata, como a castração, leva tempo para ser sentida, ter seus resultados e benefícios constatados frente aos animais abandonados. Mas a castração não garante que o gato fique em casa, ela promove apenas um motivo a menos para que ele saia. Para evitar suas saídas, é preciso telar as janelas e evitar que eles saiam para o quintal ou aumentar a altura dos muros colocando telas. Telas em apartamentos evitam quedas, outro grande perigo para os gatos e que é muitas vezes fatal. Você pode optar por não ter trabalho contratando serviço especializado ou por gastar pouco usando sua criatividade. Se você não está disposto a nenhuma das duas opções, considere não ter um gato. Hoje em dia existem muitas opções para que seu gatinho viva de forma plena e segura dentro de casa, só é preciso ter alguma disposição e boa vontade.

Nos links a seguir você pode se inspirar para telar o ambiente onde seu bichano vai viver feliz e seguro:


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Achei um gatinho. E agora?


O primeiro conselho que podemos te dar é: tenha calma! Não adianta ligar para todas as ONGs do mundo ou para os amigos que gostam de gato para resolver o seu problema. Quem está com problema não é você, são os gatinhos que estão na rua. Então preste atenção nessas dicas, siga os passos e tudo vai dar certo!

RECOLHA

Após resgatar o(s) gatinho(s), deixe-os em local seguro, aquecido e limpo. Dê alimentação correta, coloque um recipiente com areia sanitária, água fresca e arrume uma caminha (uma caixa de papelão e uns paninhos servem).

Algumas desculpas para não resgatar são bastante comuns. Destacamos aqui algumas delas: 

- Não tenho espaço em casa

Claro que tem! Existem várias possibilidades quando se tem boa vontade. Você pode deixá-los no seu quarto, em um banheirinho, em um quarto de visitas. Só não deixe no quintal, ainda mais se forem novinhos. Gatos bebês são muito delicados e precisam de atenção.  

- Meu cachorro não deixa


Como assim? O que mais o cachorro não deixa fazer? Ele controla o horário que você chega em casa? Confere seu boletim? Paga suas contas? Brincadeira, mas você pode controlar o comportamento dele.
Em todo caso, se seu cachorro for muito agressivo é só deixá-los em ambientes separados. A menos que você more em um terreno baldio, sem muros e sem portas, tenho certeza que conseguirá afastá-los até encaminhar cada gatinho para adoção.

- Meus pais não deixam


Não queremos causar tumulto na família, mas muitas vezes isso é apenas uma desculpa. Claro que em alguns casos os familiares não aceitam, então o que fazer? Não brigue com seus pais nem imponha uma vontade sua, seja um bom filho e mostre para eles outras possibilidades de ajudar. Seja responsável e resolva tudo com uma conversa franca e madura. E tente mostrar que você está lutando por uma causa que vale a pena.

- Eu não tenho tempo


Gatinhos recém-nascidos realmente precisam de mais cuidados, mas para gatinhos que já comem sozinhos essa desculpa não cola. No caso de resgatar bebês muito novinhos você pode tentar fazer um mutirão para te ajudar. Talvez um ou dois amigos que tenham horários diferentes. Ou mesmo na sua família você pode encontrar alguém para te ajudar.


CUIDE

Depois de colocá-los em segurança observe se está tudo bem com eles: veja se estão comendo, bebendo água, usando a caixa de areia, se têm pulgas ou alguma lesão de pele. Caso você note algum problema não hesite em levar ao veterinário. Não medique e nem faça nenhum tratamento sem orientação veterinária!

Você vai ter que vermifugar, vacinar e castrar o(s) gatinho(s) antes de colocá-los para adoção. Só assim você estará fazendo a sua parte de forma responsável!

E se você realmente não tiver condições financeiras de arcar com os custos?

As redes sociais são uma ótima forma de conseguir parceiros para te ajudar! Recorra ao facebook, instagram, amigos... Você pode fazer uma rifa ou um leilão... Não é feio pedir ajuda, muito menos para salvar vidas.
Caso você não tenha experiência com gatos peça orientação para veterinários de sua confiança, ONGs e protetores.


DOE

Depois de cuidados castrados, vacinados e vermifugados, você pode começar a divulgação. Novamente aqui as redes sociais são fantásticas, mas tire fotos boas e seja criativo na hora de divulgar. Vídeos também são uma ótima maneira de mostrar seus resgatados.

TRIAGEM

Depois que começarem a aparecer os interessados, você precisará escolher muito bem para quem você vai entregar o(s) gatinho(s). Afinal, você cuidou, gastou tempo e dinheiro, e não vai entregar ele(s) para qualquer pessoa não é?

As principais perguntas são:
- A casa do adotante é segura?
- Todos na casa do adotante estão de acordo com a adoção? 
- O adotante tem condições financeiras para dar tudo que o gatinho precisa, inclusive cuidados veterinários?
- O adotante se compromete em ficar com o gato por toda a sua vida? Mudança, doenças e gravidez, não são desculpas para se desfazer do gatinho.
- O gato vai ter acesso a casa toda? O adotante tem que saber que gato não aceita e nem é feliz ficando confinado. Ele precisa da companhia do dono e liberdade para se sentir feliz.

Essas exigências são essenciais para encaminhar bem os seus protegidos.  É melhor demorar um pouco mais para doar e encontrar o adotante ideal do que doar para alguém que vai abrir mão do gato na primeira dificuldade.

GATOS ARISCOS

Se o gato que você encontrou não é filhote e é arisco, não insista em querer levá-lo para casa. Alguns gatos criados na rua não se adaptarão em casa, são os chamados de gatos ferais e já estão habituados a viver naquele local e evitar humanos. 
Se você puder e quiser ajudar estes animais, o melhor que tem a fazer é evitar a procriação fazendo o que chamamos de CED (captura, esterilização e devolução). Isso é feito com todos os gatos da área, e você pode contar com a ajuda de moradores do local. Conheça mais sobre o CED: http://arpabrasil.com.br/noticia/2-O_que_é_C.E.D._?.html

Temos certeza que agora você saberá o que fazer e será mais um a ajudar os animais!!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Prestação de Contas - Dezembro 2014

Queremos agradecer a todos que ajudam os gatinhos do Projeto Viva Gato. Sabemos que sem a ajuda de vocês nosso trabalho não seria possível. 

A seguir estão os dados da nossa prestação de contas do mês de dezembro de 2014. Estamos à disposição de vocês e quaisquer dúvidas podem ser sanadas pelo e-mail projetovivagato@gmail.com (Clicando nas figuras vocês poderão visualizá-las em tamanho maior). 

Recebam o carinho e a gratidão de cada um dos meninos que passaram e que ainda estão na casa do Viva Gato!




domingo, 28 de dezembro de 2014

Valentina, a guerreira - Porque não ser indiferente

Essa história é complicada, pesada, com fotos que podem ser chocantes, mas é preciso ser contada. É preciso que as pessoas saibam o que a indiferença e a insensibilidade podem fazer. É preciso mostrar também que existem pessoas capazes de tudo para ajudar um outro ser vivo. Não importa se é um ser humano, um cachorro, um gato, uma ave ou outro ser qualquer, o que importa é ter atitude, tentar eliminar ou diminuir o sofrimento do outro. E é disso que vamos falar nessa postagem.

No início de novembro de 2014 uma imagem circulou no facebook, nela aparecia uma gata muito judiada, quase sem pêlos e se arrastando pelo chão. Muitas pessoas viram as fotos, muitas provavelmente viram a gata pessoalmente, muitas ainda a viram bem antes de chegar no estado que estava antes da foto ser tirada e publicada. Ninguém fez nada... Ou melhor, uma pessoa fez, a Anna. Ao ver a foto ela se sensibilizou e pediu para correrem com a gatinha para uma clínica veterinária, e pelo menos isso foi feito. Chegando lá, o quadro era lamentável. A foto, apesar de tudo, não mostrava a situação real da gata: feridas, queimaduras, ossos quebrados, fome, desidratação e infecções.

Fotos que circularam na internet pedindo o resgate da Valentina

O que sabemos sobre o que aconteceu antes daquela foto com a Valentina é que ela entrou no motor de um ônibus, provavelmente para se esconder de algo ou se aquecer, e depois foi atropelada. Perdeu pêlo, pele e teve uma fratura na coluna e ficou paraplégica. Ao que parece ela ficou por alguns dias se arrastando pelo local, as feridas são, provavelmente, por se arrastar no asfalto quente. Não conseguimos parar de nos perguntar: quantas pessoas passaram por ela? Quantas sentiram pena? Quantas poderiam tê-la levado ao veterinário e depois pedido ajuda? Sem dúvida a resposta é: muitas! Mas ninguém se dispôs a ajudar. Até que alguém resolveu tirar uma foto e pedir ajuda. Melhor do que nada? Talvez. Mas e se ninguém ajudasse? E se ninguém se sensibilizasse? Uma foto e nada. A Valentina poderia ter morrido, e com muito sofrimento. Ser vivo nenhum merece isso!

Valentina recebendo os primeiros cuidados na clínica

A Anna não deixou que isso acontecesse. Com a ajuda do Dr. Thiago Augusto Lourenço e da Juliana Moura, foram feitos todos os atendimentos e cuidados iniciais. E a vida da Valentina começou a tomar outro rumo. A Valentina agora tinha uma chance de sobreviver. E tinha quem se importasse e lutasse por ela, sem medo de todo trabalho que pudesse dar. E dá trabalho viu? Nem todo mundo tem coragem de assumir uma responsabilidade assim. Animais assim como a Valentina precisam de cuidados constantes pelo resto da vida. Precisam de cuidados com ração, higiene e podem ter problemas urinários frequentes. No caso da Valentina, ela só faz xixi quando se aperta a bexiga, não é apenas estimular, é apertar mesmo. E para fazer cocô tem que estimular também.

Valentina na casa da tia Anna
De volta à clínica depois de dar um susto na tia Anna
Com a sonda mas já começando a comer sozinha

Depois que a Valentina saiu da clínica, ela foi para a casa da Anna, que vai cuidar dela para sempre. Mas de lá pra cá sofreu uma recaída e teve que ser internada novamente. Não queria comer, teve que colocar sonda para se alimentar e deu um susto imenso em todos os que acompanhavam a história. Mas depois de um período tenso ela voltou a se alimentar sozinha e pode voltar para casa. A Anna diz que é porque ela viu o quanto é amada, querida e especial. Ela não entregou os pontos, é guerreira, e tem uma vontade imensa de viver. Entre todas as coisas as coisas que a Anna nos contou, uma delas, temos certeza, fez a Valentina querer viver: a Valentina ouviu a Anna dizer pra ela que “jamais ela iria voltar pra rua e enfrentar o descaso dos seres humanos”.

Já gordinha, sem feridas e com o pêlo nascendo
Hoje a Valentina está ótima, linda, radiante e até gordinha. Sem anemia, sem infecção, sem feridas e muito amada. Ela ainda não consegue fazer xixi sozinha, mas ela sabe que pode contar com a Anna. E todos nós do Projeto Viva Gato temos muito orgulho de ter a Anna como parceira. E não temos nem como agradecer o que ela fez e faz pela Valentina. Muitas pessoas ajudaram, inclusive financeiramente, e gostaríamos de agradecer a todas! Se a Valentina hoje está viva e bem, é porque nem a Anna, nem o Dr. Thiago, nem a Juliana e nem todos os que se sensibilizaram após o resgate foram indiferentes. Vocês salvaram uma vida. Isso não tem preço.

Se você que está lendo essa postagem quiser ajudar a Valentina, ela precisa muito de patê e sachê. Para doar é só entrar em contato com a gente que repassamos para a Anna.